quinta-feira, 26 de julho de 2018
Mas o que é isso?
A música sempre me emocionou.
Diz minha mãe que minha primeira playlist era Morena de Angola, da Clara Nunes, repetindo sem parar no cd player do meu tio. Tempos depois, lá pelos meus oito anos, minha biblioteca incluía um Greatest Hits do Johnny Rivers, um disco promocional da Droga Raia de sucessos da MPB e o Acústico MTV da Cássia Eller, sendo esse último o primeiro cd que ganhei de presente. Primeiro e único, porque depois disso meu pai só me comprava discos se fossem os piratas que vendiam na feira. Desses eu me lembro bem do Falamansa e do Linkin Park, ambos de muito sucesso na época.
Nunca soube aproveitar a medida certa de nada; Desde muito cedo, sou afeito à compulsões. Diz a Débora que é coisa do signo, o fato é que sou.
Em algum momento, ainda criança, comecei a guardar as embalagens das caixas de bombons. Depois, recortava e guardava as ilustrações que eu gostava na revista Época que minha mãe assinava.
Mas eu só mergulhei no abismo da loucura colecionista quando meu pai contratou um serviço de internet ilimitada - não se tratava de banda larga, era uma internet discada, mas que eu podia usar à vontade. Iniciei minha vida na web com o download das músicas que eu gostava de ouvir na rádio. Anos mais tarde, conheci através do meu primo o iTunes, cuja interface permitia inserir a capa dos álbuns e outras informações. Para alguém sem recursos para comprar cds, a possibilidade de baixar ilegalmente e atribuir no iTunes o visual era um prato cheio. Nunca mais parei.
De uns anos pra cá, a internet diminuiu muito. Antigamente eu visitava centenas de blogs, e links para download eram mato. Hoje em dia, com certa frequência visito meia dúzia, sendo que dois já não fazem mais novas postagens. Na adolescência e vida adulta vieram os recursos, logo os arquivos mp3 foram preteridos por centenas de álbuns em mídia física.
Agora é que degringola
Certo dia ao me deparar com a interminável lista de artistas e álbuns no computador, me indaguei o que é que eu iria fazer com aquilo tudo.
O colecionismo insenato sobrepujou completamente a fruição.
Eu, auto-indulgente, tenho a seguinte teoria:
No futuro, seres extraterrestres ou extracorpóreos ou o caralho que for se encontrarão aqui em nosso planeta, muitíssimo curiosos para conhecer nossa cultura, já que nossa tecnologia não os interessará. E, como vocês podem imaginar, eles não vão ouvir música via streaming. Eles cagam e andam para internet. Eis que alguém (!!!), detentor de mídia física e digital que independe de wifi, apresentará para eles algumas das jóias audiovisuais já produzidas por aqui.
Caso eles venham só pra destruir tudo mesmo, alguém haverá de ser o disc jockey do nosso apocalipse. E, pelo bem de toda humanidade, melhor que seja eu do que o david guetta.
Esse blog é o espaço onde vou compartilhar com vocês, meus amigos, duas coisas: um pouco do que aprecio escutar e a responsabilidade de fazer as vezes com os aliens ou no bailão do fim do mundo.
Todo post virá acompanhado de texto. No futuro os jovens não saberão mais ler e escrever. Exagero meu, saber no sentido de conhecer o código língua escrita, eles saberão. O que quero dizer é que não terão mais intelecto e nem paciência para ler mais de 140 caracteres em sequência, que será o mais extenso gênero textual conhecido, legado do finado twitter.
Todo comentário aqui será mais-que-bem-vindo e quem quiser uma cópia digital do referido em cada post, é só me chamar.
Esse é o Groove onde tem e onde não tem também, porque não é só de swing que vive a música. Amém!
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